A felicidade que me deu ler teu texto, Rafael, foi grande! O tanto de debates “complicados” que ando tendo por causa disso! Hahahaha. As pessoas querem pegar a onda de falar mal e não separam o joio do trigo. Eu até já escrevi brevemente aqui no Substack sobre isso. Excelente! 👏🏻👏🏻👏🏻
Excelentes colocações! 👏👏👏 Não sou da área de estudos clássicos, mas gosto muito da literatura grega. Estou relendo a Odisseia e cotejando alguns trechos com a tradução da Wilson. Entendi pelas explicações dela a opção pelo Complicated e não é minha principal crítica, mas o complicado, com o perdão do fraquíssimo trocadilho, é que essa opção acaba demandando mais explicações para o público leigo (nesse caso nos meros mortais que não leem grego) que parece ser exatamente o maior público da tradução dela, até pelo verso que me parece até acrescentado ao proêmio em que diz “tell the old story for our modern times.” Mas ainda vou vendo no que vai dar.
Muito bom ler seu texto, Rafael. Enquanto termino o meu sobre o heroísmo em Odisseu, acho que vale muito sua ressalva sobre a qualidade do heroico para os gregos.
Salve, Paulo! É sem dúvida uma tradução válida. E é legal ver a reflexão da tradutora, que reconhece os possíveis e inevitáveis anacronismos da palavra, bem como os ganhos que consegue com ela.
Penso eu que dizer que se trata de uma palavra comum em grego (usada por Tucídides e Platão, muitas vezes com sentido negativo) mostra bem o caminho do pensamento dela ao escolher “complicated”. Mas é importante lembrar que é uma palavra raríssima no corpo da épica grega, que serve só para designar dois personagens: nosso Odisseu — com todas as ambiguidades que isso evoca — e o deus Hermes. Na língua da poesia épica, chamar alguém de polýtropos envolve falar de um desses dois; entretanto, aqui é o “anér — o homem — polytropos”. Isso quer dizer que, mesmo sem nomeá-lo, por meio desse epíteto raro, junto com o substantivo “anér”, podemos supor que uma audiência logo reconheceria de quem o poema fala, mesmo que seu nome não esteja explicitado — um jogo de revelação e ocultamento do nome que é bem cara à Odisseia. Parece-me ser mais do que “a complicated man”
ter acesso a uma imagem mais clara e sóbria do que é o herói em homero é realmente muito estimulante, muito se pode pensar sobre toda obra épica e todas as outras que bebem dela mais objetivamente por essa ótica do complicado. gosto muito, enquanto inciante nos estudos de lit. grega e latina, de saber que as discussões estão longe de se findar. obrigado pelo texto, rafael!
Sei que ela teve critérios para a tradução, incluindo a métrica, mas o termo "complicado" deixa o texto feio. Além disso, hoje em dia, se alguém diz que um homem é complicado, a conotação é puramente negativa, principalmente no contexto de um relacionamento. Esse termo não me faz pensar em uma personagem complexa, com múltiplas camadas ou facetas.
Acho que o foco no epíteto é uma cortina, pois os apontamentos sobre a produção vai muito além do polytropos.
Não entrerai em polemica sobre a tradução, porém eu vi algumas entrevistas da Emily e não curti a forma como ela fala do poema com uma "olhar" do nosso século sobre a obra.
Vi também uma comparação entre traduções consagradas no mundo anglófano e a tradução dela. O que parece é que ela fez uma versão da obra. E está tudo bem, vai ler quem quiser.
A felicidade que me deu ler teu texto, Rafael, foi grande! O tanto de debates “complicados” que ando tendo por causa disso! Hahahaha. As pessoas querem pegar a onda de falar mal e não separam o joio do trigo. Eu até já escrevi brevemente aqui no Substack sobre isso. Excelente! 👏🏻👏🏻👏🏻
Excelentes colocações! 👏👏👏 Não sou da área de estudos clássicos, mas gosto muito da literatura grega. Estou relendo a Odisseia e cotejando alguns trechos com a tradução da Wilson. Entendi pelas explicações dela a opção pelo Complicated e não é minha principal crítica, mas o complicado, com o perdão do fraquíssimo trocadilho, é que essa opção acaba demandando mais explicações para o público leigo (nesse caso nos meros mortais que não leem grego) que parece ser exatamente o maior público da tradução dela, até pelo verso que me parece até acrescentado ao proêmio em que diz “tell the old story for our modern times.” Mas ainda vou vendo no que vai dar.
Muito bom ler seu texto, Rafael. Enquanto termino o meu sobre o heroísmo em Odisseu, acho que vale muito sua ressalva sobre a qualidade do heroico para os gregos.
A tradutora debateu e detalhou muito bem a escolha de “complicado” aqui:
https://emily613.substack.com/p/on-complicated?r=2siw2l&utm_medium=ios
Salve, Paulo! É sem dúvida uma tradução válida. E é legal ver a reflexão da tradutora, que reconhece os possíveis e inevitáveis anacronismos da palavra, bem como os ganhos que consegue com ela.
Penso eu que dizer que se trata de uma palavra comum em grego (usada por Tucídides e Platão, muitas vezes com sentido negativo) mostra bem o caminho do pensamento dela ao escolher “complicated”. Mas é importante lembrar que é uma palavra raríssima no corpo da épica grega, que serve só para designar dois personagens: nosso Odisseu — com todas as ambiguidades que isso evoca — e o deus Hermes. Na língua da poesia épica, chamar alguém de polýtropos envolve falar de um desses dois; entretanto, aqui é o “anér — o homem — polytropos”. Isso quer dizer que, mesmo sem nomeá-lo, por meio desse epíteto raro, junto com o substantivo “anér”, podemos supor que uma audiência logo reconheceria de quem o poema fala, mesmo que seu nome não esteja explicitado — um jogo de revelação e ocultamento do nome que é bem cara à Odisseia. Parece-me ser mais do que “a complicated man”
Sim, não sou estudioso de grego, mas também entendi que foi uma atualização.
Gostei do texto
ter acesso a uma imagem mais clara e sóbria do que é o herói em homero é realmente muito estimulante, muito se pode pensar sobre toda obra épica e todas as outras que bebem dela mais objetivamente por essa ótica do complicado. gosto muito, enquanto inciante nos estudos de lit. grega e latina, de saber que as discussões estão longe de se findar. obrigado pelo texto, rafael!
Sei que ela teve critérios para a tradução, incluindo a métrica, mas o termo "complicado" deixa o texto feio. Além disso, hoje em dia, se alguém diz que um homem é complicado, a conotação é puramente negativa, principalmente no contexto de um relacionamento. Esse termo não me faz pensar em uma personagem complexa, com múltiplas camadas ou facetas.
Muito bom, Rafael.
Acho que o foco no epíteto é uma cortina, pois os apontamentos sobre a produção vai muito além do polytropos.
Não entrerai em polemica sobre a tradução, porém eu vi algumas entrevistas da Emily e não curti a forma como ela fala do poema com uma "olhar" do nosso século sobre a obra.
Vi também uma comparação entre traduções consagradas no mundo anglófano e a tradução dela. O que parece é que ela fez uma versão da obra. E está tudo bem, vai ler quem quiser.
Ninguém se aventurou ainda com "malandro"? Canta, coração, sobre aquele malandro..